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Cronicando




Escrito por Bruna Andrade / Leila às 22h01
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Gato preto

 

Eu vim pra trazer má sorte

Eu vim para humilhar

Não sou ovelha negra

Sou gato preto

 

Os olhos brilham na noite e incomodam, como os faróis dos carros que passam, ignorando as vidas interrompidas ali ao lado. A lua, de tão brilhante, atravessa as nuvens de chuva que derretem em gotas pesadas sobre a capa e o chapéu pretos, os quais ocultam minha conduta putrefata. No bolso...? No bolso uma surpresa que deixarei para o final da historia. Nas mãos, a desordem de dedos estralando-se e de unhas compridas. A insanidade se revela no andar reto com o olhar baixo. As lapides ao lado trazem uma certa vergonha misturada a orgulho. Tantas pessoas insubstituíveis ali, sob a terra, por... Oras, calma! Não vamos estragar a surpresa!

Meu andar se apressa. A chuva e o frio me incomodam... Vamos logo com isso... Que noite cretina... Entro em um beco habitado por mães solteiras e mofo. As paredes se descascam e caem, como se o descaso fosse uma paulada atingindo em cheio os tijolos. Meus sapatos ecoam e quase criam vida, tamanho o silencio quebrado por eles. Que ambiente nojento... Quero logo minha lareira e um copo de whisky... Entro pela porta semi-aberta. Um senhor forte e careca me repreende, mas logo cai no chão... Olho para a figura retorcida e sigo meu caminho. A próxima sala, meu objetivo, mais parecia uma sauna tamanha a fumaça causada pelos charutos. Os quatro indivíduos olham para a porta onde estou parado e depositam o leque de cartas na mesa. “O que raios você esta fazendo aq...” foi o que encontrou tempo de sair da boca do infeliz antes que de eu estourar seus miolos. Os outros três desgraçados se assustaram e colocaram as respectivas mãos nos bolsos, mas já era tarde... Caíram à mesa como estudantes dormindo na sala de aula. O sangue sujava as cartas que nunca mais seriam jogadas... Era para eu sentir pena? Ah desculpe, mas não aprendi essa lição no colégio. Piedade? Não... Mas eu aprendi ironia... Serve? Dane-se...  Ponho no bolso novamente a surpresinha, ainda com duas balas. Saio logo daquela cena bizarra. Ao passar pelo cemitério, me lembro da culpa... Mas... Como evitar? Esse brinquedinho é tão divertido de usar... Acabo por mandar mais quatro almas podres para dar trabalho ao coveiro...

E agora, finalmente, meu whisky!

 

 

Eu vim pra trazer má sorte

Sou gato preto



Escrito por Bruna Andrade / Leila às 20h07
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