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Cronicando




Escrito por Bruna Andrade / Leila às 21h23
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Exame

O sol fustigava os cabelos curtos. Fazia evaporar a água e largando o sal na pele. Passos pesados queimavam-lhe as pernas, ombros caídos, doloridos. Nada de beleza, nada de sensualidade. Apenas a pele oca em forma de mulher. Expressão nenhuma na face. Uma mediocridade seca, daquelas que aperta a garganta. Olhar profundo, como um túnel escuro, sem brilho. Um corpo. Um peso. Um asco. Dois cavalheiros, do outro lado da rua a comiam com os olhos, pensamentos porcos. Ela sentia os olhares como sentia o asfalto. Sólidos. E os ombros se encolhiam mais. As trompas pesavam no abdômen, puxavam para o chão. E cada desejo obsceno passava por sua mente, complexo de Bentinho. Eles só pioravam... Não é culpa dela... Ela não pediu aquelas formas. Não pediu a carne sobrando, esticando o jeans. Mas não importava. Aquilo já era motivo suficiente para os doutores imaginarem seu corpo nu, jogado em lençóis de linho vagabundo. E ela não podia fazer nada. Absolutamente nada. Apenas olhar para baixo, desejando que a terra a engolisse. Asco. Mas não todo dos senhores ali, e sim dela. Das formas dela. Se não fosse mulher, não teria que suportar essa humilhação. Odiava do fundo da alma os seios pesando nos ombros, o útero vazio ocupando seu corpo. Sexo frágil... Milagre de gerar vida... Grande merda... Belos e meigos pedaços de carne. Não era bonita. Não se sentia bonita. Mas as cansadas e roliças pernas a denunciavam. Rosto? Que importa, olha aquelas pernas! Ninguém pode penetrar na sua personalidade. Ninguém pode despir seu diploma. As musicas que ouve, os instrumentos que toca. Mera fuga. Os passos aceleram, a expressão na face encolhe. E risadas saem da boca dos doutores, assovios e gracinhas. Medo... Medo de que as gracinhas cresçam a toques... De novo...



Escrito por Bruna Andrade / Leila às 21h16
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