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Cronicando




Escrito por Bruna Andrade / Leila às 02h02
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Escrito por Bruna Andrade / Leila às 02h01
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Autoquíria autocuidado

No mesmo corpo, uma mão infantil suga o dedo, infantilmente, aterrorizada. A outra, maternalmente, acalenta com um cafuné gelado. Shh vai ficar tudo bem... A mesma mente se divide entre a fala chorosa e entrecortada, úmida e abafada. Eu-nã-o-aguen-to-mais-ahn-ahn engasgando com as lágrimas e muco escorrendo pelo rosto doído. O cuidado esquizofrênico permite à outra mão acariciar o rosto molhado, repetindo as palavras de carinho com a autoridade de quem finge saber o desenrolar da história, para acalmar a criança que tanto pergunta. Stai zitta, Lisetta, vai passar. Calma. Calma. Meia mente, meio corpo. A criança, se acalmando com o tom autoritário e certeiro de sua metade mãe, mal nota que a mesma lhe oferece mais um comprimido. Mais um? Já tomei tantos... Mais, querida, mais... Pra tudo ficar bem o sono precisa vir. Confie em mim, não vão ter mais lágrimas. Na-da-de-lágrimas?! Nadinha, querida. Mais um. Shh vai ficar tudo bem. Um sorriso escapa pela boca da metade criança, pintado de esperança. Pra onde a gente vai, não dói desse jeito? Não, meu bem, nós vamos sonhar. Sonhar um tantão, hihihi, você vai adorar! Que bom que tenho você pra me dizer o caminho. Fiz tudo errado desde o começo... Me desculpa, olha onde trouxe a gente... Mais um? Quanta pílula. É pro nosso bem, pequena. E você fez o que deu conta, não se culpe. Hoje eu só tenho a condição de escolher por nós porque você aguentou até aqui. Vamos descansar agora, que tal?

E o um corpo se deitou, aguardando a chegada do veiculo, o bilhete já comprado. Pras duas. Uma das mãos ainda acariciava o cabelo do um corpo, enquanto a outra segurava firme o pulso desta que acalentava. Aguardaram a tensão dos músculos se desfazer como tinta n’água e foram embora juntas.



Escrito por Bruna Andrade / Leila às 01h55
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